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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Livros, Esportes, Música
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Crônicas
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Sugestão a um programa de televisão
Estou assistindo o programa Globo News Painel. Como o apresentador do programa Willian Waack disse: O “Globo News Painel” não é um programa feito por paulistas para paulistas, eu pergunto: Será?
Vejamos: No programa são convidados debatedores, em mais de noventa por cento das vezes, paulistas. Os assuntos, mesmo quando se trata de Brasil, são tratados pela ótica paulista e muitas vezes paulistana, o que ainda reduz mais a sua visão nacional. Às vezes abrem uma brecha para alguém do Rio de Janeiro e é só. Será que só existem grandes sociólogos, antropólogos, juristas, economistas, psicólogos, médicos, engenheiros, físicos, teólogos, filósofos e sei eu mais que especialidade vocês costumam chamar, na USP, na UNICAMP, e em outras universidades paulistas? Será que o Brasil é tão pobre de cabeças pensantes? Será que somente em São Paulo existem Fundações Culturais de onde vocês extraem seus debatedores? Todas estão reunidas nesta paulicéia desvairada?
Porque mesmo quando discutem o Brasil o fazem com uma ótica paulista ou até mesmo paulistana, isto fica mais do que claro para quem assiste ao programa. Fica então uma ótica canhestra, vesga, zarolha. Fica uma visão unilateral e muitas das vezes uma visão míope, pois sem a amplitude necessária. Reflitam o que estou dizendo, por favor. O programa é nacional como disse o apresentador Willian Waack e o Brasil é muito maior do que São Paulo, infelizmente para a arrogância deste estado e dos homens de sua mídia.
Desculpem-me. Ando farto desta visão unilateral usada por uma mídia que por imposição do dinheiro é feita em São Paulo abarrotando o Brasil de maneirismos do Jeca Tatu. O Brasil era mais charmoso e menos caipira quando o Rio de Janeiro era a fonte de inspiração para ele. Que saudades das emanações que Copacabana, Ipanema e Leblon dispersavam para todo o Brasil. Hoje temos que nos conformar com aquelas vindas da Av. Paulista (meu), da Vila Maria e do Parque Edu Chaves (ôrra meu!!!).
Gerson Alvim Pessoa
Belo Horizonte/MG
Escrito por Gerson Alvim às 00h44
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O massacre pela audiência
Já não agüento mais. Desde domingo próximo-passado tenho ouvido pelos jornais televisivos uma enxurrada de notícias sobre a morte da menina de cinco anos de idade em São Paulo. A notícia foi dada e comoveu o país. A partir daí a imprensa, que precisa de notícia a cada minuto para poder sobreviver, cria fatos, insufla a alma das pessoas com comentários de fundo emocional para obter audiência. Esta mesma imprensa, estes mesmos meios de comunicação já se esqueceram do que fizeram com os donos da “Escola de Base”, da mesma cidade de São Paulo onde aconteceu este fato de agora, “a morte da menina que foi jogada pela janela”. Eles, os donos da “Escola de Base”, perderam a sua vida. Hoje, pelo que consta, tentam refazê-la a duras penas. E a imprensa sensacionalista, como sempre, tocou o barco pra frente. Sei: tudo levar a crer que foi o pai ou a madrasta que cometeram este horrível assassinato. Mas existe alguma prova cabal, contundente? Ainda não. Mas a mídia precisa de fatos. Sabemos que é ensinado nas escolas de comunicação que um cachorro morder uma pessoa não é notícia, mas uma pessoa morder um cachorro é. Por isso, porque não dizer que o bicho homem mordeu o cachorro sem saber se foi realmente verdade? Se foi um bandido que atirou a criança do prédio (o que também é animalesco) a notícia perde a força quando se “trata” do pai, mãe ou madrasta, então porque não alimentar subliminarmente nas pessoas a idéia de que foi o pai ou a madrasta da menina que cometeu este horrível crime, não é mesmo? Assim teremos notícias por uns quinze, vinte, trinta dias até aparecer algo mais apetitoso para termos pontos, muitos pontos no IBOPE e conseguirmos sempre mais anunciantes pela audiência conseguida através do sensacionalismo barato. E então os patrões, donos das emissoras de rádio e televisão, dos jornalões e jornalescos ficarão satisfeitos, pois encherão as suas burras com o dinheiro ganho pelos anunciantes cada vez mais ávidos em vender.
Para massacrar qualquer pessoa, o que não está correto, diga-se de passagem, não seria bom esperar o veredicto da justiça? Porque não somente dar a notícia limpa, sem recheios de emocionalismo?, fazendo com que pessoas fiquem histéricas na porta da delegacia, gritando pro pai que chega para se entregar: Assassino... Assassino.
Sair com psicólogos, que também querem aparecer, fazendo entrevistas com pessoas do povo e eles, os psicólogos, analisando o comportamento destas mesmas pessoas sobre o caso. Isto é nojento.
A imprensa faz este tipo de papel sabendo que o está fazendo. A imprensa insufla as pessoas. A imprensa conduz os corações e mentes do povo. A imprensa é má quando se trata de trabalhar em causa própria. Para se dar a notícia vale qualquer coisa. A população brasileira, principalmente os mais humildes que se deixam levar pelas notícias feitas na medida exata da emoção burra, entra em transe e desespero fácil, talvez pela pouca educação, talvez pelo sofrimento de toda uma vida que levam, talvez pela falta de preparo emocional. Transformam-se em boiada, massa de manobra.
Se alguém desta imprensa ler o que estou falando dirá que o papel dela é esse mesmo, ou no máximo, dirá que tenho razão, mas continuará fazendo o seu papel de “Lobo do Homem”, ou então, bem provavelmente, calará a boca. Ela sempre tem razão, não aceita comentários que a joguem contra a parede. Ela se julga Onipotente, Onipresente, Onisciente.
Estou farto.
Gerson Alvim Pessoa
Escrito por Gerson Alvim às 14h46
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UMA QUESTÃO DE ESCOLHA E BOM SENSO
QUEREMOS SER UMA NAÇÃO DE BOÇAIS?
Vi na televisão uma propaganda de uma emissora de rádio, muito bem feita, diga-se de passagem, que colocou uma comentarista da emissora falando em praça publica, e as pessoas se juntando em volta dela enquanto dizia, entre outras coisas: “...vocês precisam escolher o que o Brasil precisa mais, se de Universidades ou Escolas Técnicas...”.
Eu penso que a conversa sobre educação vai muito além de saber se precisamos de Universidades ou de Escolas Técnicas. Eu acho que, na verdade, o Brasil precisa de uma EDUCAÇÃO DE BASE COM QUALIDADE e quando digo: de base estou dizendo da educação que começa no maternal. Não adianta termos ótimas Universidades, nem excelentes Escolas Técnicas, (o que não é o que acontece em nenhum dos dois casos, guardando algumas ilhas de exceção em alguns cursos de algumas Universidades) se não tivermos uma educação de base em nível de excelência, de norte a sul, de leste a oeste no Brasil.
Venho acompanhando os debates que a partir da constatação de um órgão da ONU, se não estou enganado, que disse estar a população estudantil do Brasil em um dos últimos lugares no mundo, quando se trata da educação básica. A garotada não sabe fazer as quatro operações, não sabe ler nem escrever, e quando lêem não conseguem interpretar o que leram em sua grande maioria. Isto sim é preocupante. Como podemos esperar que algum profissional, liberal ou não, consiga um dia ler e entender, por exemplo, um manual técnico da sua área de trabalho?
Então dizem alguns: “Mas os professores do ensino básico ganham muito mal”. Tudo bem, concordo que temos urgentemente que melhorar o salários destes professores. Mas será que é somente isto? Acho que a discussão passa por algumas perguntas:
Primeiro: Será que se o salário fosse melhor, muito melhor do que os professores recebem hoje, não teríamos pessoas mais capacitadas ensinando? Por saberem que professor recebe pouco, apesar de gostarem daquela profissão, muitas pessoas vão procurar outra área de trabalho, deixando o ensino entregue aos menos capazes. Com certeza teríamos melhores professores se os proventos pagos fossem condignos à profissão.
Segundo: Será que somente a melhora dos proventos dos professores resolveria a questão?
Já que os professores que temos são estes, não já passou da hora de ser feito com eles uma reciclagem pra valer, onde voltem aos bancos escolares se qualificando melhor?
Terceiro: Fazendo esta reciclagem com os professores, mas uma reciclagem séria, e não algo como: (Nós fingimos que ensinamos a vocês; vocês fingem que aprenderam conosco e toquemos o barco).
Reciclagem que, quem não mostrar aptidão para o ensino e nela ter adquirido realmente conhecimento para ser repassado aos alunos, ser eliminado do quadro de professores, ou voltar novamente à outra reciclagem até estar apto para lecionar.
Sei de casos de professores de português que nunca leram um livro do inicio ao fim. Para fazer o vestibular, por exemplo, leram resumos de livros, e na faculdade, (isto quando cursaram faculdade) também só leram resumos de alguma obra ( isto quando leram). O mesmo serve para professoras que cursaram o Normal.
Já vi professor de matemática, história e até de português dizer:
“Põe MENAS comida no meu prato”. Ou: “Esta comida está MEIA quente”.
Eu pergunto: Como é que uma pessoa que fala desta forma pode se candidatar a ensinar? Não é que eu ache ser preciso falar com a linguagem chamada “culta”; mas um mínimo necessário de conhecimento para saber se expressar é obrigatório.
Uma professora ou professor que pergunta em sala aos alunos: Quem peidou? Não dá. Desculpem-me, mas não há outra forma de dizer o que eu quero. Isto que acabo de falar eu já tive notícias de ter acontecido em sala de aula.
Os mestres e mestras têm que fazer o papel de educadores também, pois, infelizmente, na grande maioria dos lares brasileiros, pais, mães e responsáveis não têm base nenhuma para formar um cidadão minimamente educado, que saiba se comportar. Então, a educação, além da formal, tem que passar também pela educação básica informal, educação que deveria ser dada nos lares e não o é. E para isto os professores têm que ser preparados, pois eles também (uma parte deles) não possuem esta educação que deveriam ter tido em seu berço. Sei que é uma tarefa árdua para o Estado brasileiro, mas infelizmente não tem outro jeito.
As escolas públicas precisam ser de horário integral. A criança tem de nela entrar pela manhã, às 7 ou 8 horas, e dela sair às 18, 19 horas. Não tem outra forma pois, menino que estuda em escola pública, geralmente é filho de pai e mãe analfabetos ou semi-analfabetos, e quando não é este caso, são pais que trabalham fora não tendo tempo para dar aos filhos, um acompanhamento nos deveres de casa. Sem este acompanhamento não há como a criança aprender. A escola tem que suprir esta lacuna.
Aí, então, vamos saber se precisamos de mais e melhores Universidades ou mais e melhores Escolas Técnicas. Até lá tratemos de requalificar, ou qualificar os professores do ensino básico, e quando digo ensino básico estou também me referindo às creches e escolas infantis (públicas e privadas). Existem creches em que as pessoas que cuidam das crianças são analfabetas ou semianalfabetas. Como uma pessoa com esta escolaridade (ou falta dela) pode, por exemplo: ler uma historinha para as crianças e comenta-la com elas? Tratemos de dar escola integral (pública) à criança brasileira. Tratemos de reciclar o professorado do ensino básico. Tratemos de melhorar o salário destes professores. Se não fizermos isto com rapidez, dentro de breve espaço de tempo seremos, se é que já não somos, UMA NAÇÃO DE BOÇAIS.
Escrito por Gerson Alvim às 16h23
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O EX-PRESIDENTE DESTEMPERADO
A EDUCAÇÃO VEM DO BERÇO
Ou
A TOTAL “NON SENSE” DO EX-PRESIDENTE
Ontem, ouvindo um telejornal, fiquei pasmo: O Ex-presidente da República, Senhor Fernando Henrique Cardoso, em um ataque de desespero, ou talvez, quem sabe, falta de educação e civilidade, fuzilou com palavras, de uma forma grosseira, o Presidente Lula; forma, que imagino, sem precedentes na história deste país, para quem já o presidiu. Achando que havia ouvido, ou interpretado mal a fala do Ex-Presidente, sintonizei outro telejornal e, aí, constatei que ele havia, realmente, perdido a compostura e os bons modos que devem acompanhar as pessoas, e, principalmente, um Ex-Presidente da República. Disse ele num discurso proferido em uma convenção do seu partido quando, este, elegia o novo presidente daquela entidade:
"Queremos brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria."
Ficou claro que ele falava para, e do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-torneiro mecânico, de origem humilde, e de baixa escolaridade, mas também, um homem de um imenso carisma, de grande poder de comunicação, hábil político, e, principalmente, em cuja gestão as condições de vida da população mais carente melhoraram; e muito; não há como negar!
Todos sabem que aquele senhor que já Presidiu esta Nação, é um homem de esmerada educação acadêmica, de títulos e honrarias conquistados nas mais conceituadas Universidades do planeta, de vasto conhecimento e “sabedoria”, tendo já escrito uma obra de peso para qualificar cada vez mais o seu “curriculum”; mas que é também um homem que, apesar de todo este lastro, possui um grave defeito: é pedante, de uma soberba incalculável, imensa arrogância, inveja plena e ganância voraz. Não admite ser preterido por outra pessoa. Por detrás de toda aquela cultura e títulos, está um homem que, quando Presidente, em seu primeiro mandato, permitiu que deputados fossem comprados para votar a sua reeleição. E, para quem quiser defendê-lo, gostaria de lembrar daqueles dois deputados do norte do país, que renunciaram quando foi descoberto que haviam ganho uma boa quantia em dinheiro, para votar a favor da reeleição para a Presidência da República. A tropa de choque do Senhor Presidente Fernando Henrique saiu em campo para abafar o caso. Como era maioria, conseguiu que nem a CPI proposta para apurar aquelas irregularidades fosse à frente. É evidente que muitos deles (deputados e senadores) devem ter entrado na bolada. Do mesmo modo que falam que o Lula sabia do mensalão, e acredito que sim, eu pergunto: E ele, o Presidente Fernando Henrique, não sabia da compra de votos para a sua reeleição?
Não acho que o Presidente Lula seja inocente sobre tudo o que acontece e aconteceu de ruim neste país, durante o seu governo, (mensalão, distribuição de cargos para tentar ganhar na votação da CPMF, tentar proteger Renan Calheiros, etc, etc), mas também, não aceito que venham me dizer que o senhor conhecido por FHC, o “Príncipe das Astúrias”, o “Senhor Sorbone”, o “Farol de Alexandria”, seja o guardião dos bons costumes, e agora, como pôde o Brasil inteiro constatar, não é ele o paladino e dono de uma boa educação. Educação não é somente aquela formal, construída nos bancos escolares desde a infância até às academias. Educação, a boa, a que forma o carater deuma pessoa, é aquela vinda e adquirida desde a mais tenra idade, quando a criança ainda suga o leite materno. Educação, além da educação universitária, construída à base de leitura e seminários, e de, muitas vezes, discussões estéreis em círculos acadêmicos, onde, o que prevalece, é a necessidade de se mostrar mais competente e sábio que os outros, é, sim, aquela ensinada pelos pais ou responsáveis pelo futuro cidadão, quando ele ainda aprende a dar os seus primeiros passos. E isto, pelo que pude constatar ontem à noite, o Senhor Fernando Henrique Cardoso, Ex-Presidente da República Federativa do Brasil, não teve. Ser deseducado e grosseiro, não importando se com uma pessoa comum, do povo, ou com alguém que ocupa a cadeira de Presidente da República, não fica bem para quem tem tantos títulos honoríficos e, principalmente, já ocupou aquela mesma cadeira. Devia ele se dar ao respeito e para tanto, não ser deselegante. Elegância não deve ser mostrada só perante a autoridades e mandatários de outras nações. Elegância deve ser praticada, também, para o trato com pessoas humildes, ou menos dotadas de “saber”. Ser elegante é ter boa educação.
MAS ISTO, COMO JÁ DISSE, NÃO SE APRENDE NA ACADEMIA.
Escrito por Gerson Alvim às 15h30
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